“É tão agonizante — framboesas? Não senti cheiro de framboesa nenhuma. Será que eu deveria sentir o cheiro? Tenho um amigo que estava cursando sommelier, e ele perguntava: ‘Que cheiro você está sentindo?’ E eu respondia: ‘Não sei, cara! Não sei o que estou sentindo.'”
Don, o jovem financeiro com quem eu estava conversando no Allora, tinha um bom argumento (que ele enfatizou pedindo uma cerveja). Framboesas e amoras, mineralidade e terroir; o vinho tem sua própria linguagem e, como a maioria das linguagens especializadas — da física de partículas ao encanamento —, soa obscuro para quem está de fora. A confusão é agravada pelo fato de que a maioria dos sommeliers ocasionalmente usa a linguagem do vinho ao conversar com os clientes. Ouvir que um vinho é “expressivo para o local” é, para a maioria das pessoas, como ouvir um encanador dizer: “É, você provavelmente vai precisar de um CPVC de 5 cm aí”.
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A resposta, como convidado, é simplesmente não se preocupar com as palavras. Explique o que você gosta na sua própria língua. Mesmo uma afirmação que praticamente não faz sentido — como “um vinho tinto doce e seco, que não é muito amargo, mas ainda tem um sabor marcante”, como disse um convidado a Chris McFall, membro da equipe de sommeliers do Mastro’s — ainda é uma porta de entrada para uma conversa. Nesse caso específico, McFall respondeu: “Ótimo. Então me diga qual foi o último vinho que você tomou que era assim. 19 Crimes? Tudo bem então. Deixe-me dar algumas opções.”